16 de fevereiro de 2015

BookTour - Resenha | Cordeluna - Élia Barceló

Título: Cordeluna
Autora: Élia Barceló
Gênero: Ficção, Literatura Fantástica, Fantasia
Editora: Editora Biruta
Ano: 2012
Páginas: 310
SINOPSE: Mil anos atrás, uma história de amor foi interrompida pela desgraça e uma maldição. Um poder tão maligno que tinha conseguido dominar seus espíritos geração após geração. E enquanto isso, os apaixonados esperam... condenados a se reencontrar e voltar a se perder por culpa do ciúme e do ódio. O cavaleiro e a dama. O guerreiro e a donzela. Até que talvez um dia, talvez em nossa época, séculos depois, um poder superior e benigno consiga pôr um fim ao malefício.
Apaixonante novela que combina história e fantasia, amor e maldade, bruxaria e religião, criada pela escritora Élia Barceló, conhecida como a “Dama Negra” da literatura espanhola, ganhadora em duas oportunidades do Prêmio Edebé de Romance Juvenil.
A história se passa na Idade Média e é muito bem retratada no livro, que destaca costumes e valores da época. As sangrentas guerras entre muçulmanos e cristãos pela expansão e posse de seus domínios. No posfácio, a editora explica os diferentes períodos da História e descreve a fascinante personalidade de El Cid.

Ganhador do Prêmio Edebé de Literatura Juvenil Cordeluna é uma novela infanto-juvenil que aborda uma história de amor e ódio da Idade Média, mesclando com os tempos atuais, e a repercussão deste amor que terminou em tragédia.
No primeiro momento somos apresentados a Espanha do séc. XI, e conhecemos a história de Sancho, cavalheiro medieval, seguidor de dom Rodrigo, mais conhecido como El Cid, que cruza com o caminho de Guiomar, condessa de Castela. Os dois jovens, como em um conto de fadas, se apaixonam, mas tem de passar por obstáculos como ódio e ciúmes, que resultam em uma maldição que os separam. Tal amor é condenado a esperar por mil anos até que surja nova oportunidade de se reencontrarem e assim poderem ser eternamente felizes juntos.
E é onde nos leva o segundo momento, já no séc. XXI. Paralelo a primeira narrativa, encontramos um grupo de jovens atores de teatro, que partem em um retiro em um mosteiro com a intenção de participar de uma seleção de atores para a peça que reviverá as conquistas de El Cid. Conhecemos Glória e Sérgio, jovens que inesperadamente se apaixonam, e junto com seus amigos se veem mergulhados nos eventos trágicos ocorridos há mil anos. Cabe a eles destruir a maldição e finalmente proporcionar aos jovens amantes a felicidade que tanto esperam.
Temos uma maldição, uma espada, item fundamental para a resolução da historia e um amor milenar buscando redenção. Em meio a tudo isso as histórias se misturam, com o passado e presente se entrecruzando.

– Pesa sobre vos uma poderosa maldição. Vagareis os dois eternamente, sem vos encontrardes jamais.
Pág. 236

Devo confessar que me surpreendi com o livro, recebido através do book tour realizado pela Editora Biruta. Procuro não conhecer muito do que estou preste a ler, e com Cordeluna não foi diferente, o que me fez ter algumas surpresas com a história que se desenrolava, mas acredito que mesmo conhecendo algo anteriormente, ainda teria tido algumas surpresas. Primeiramente por que não sabia que a história transitava por tempos diferentes, e essa foi uma sacada maravilhosa da autora, ainda que ela dê maior destaque ao passado, o que é compreensível, visto que é neste tempo que vão ocorrer às situações que gerarão os conflitos a serem solucionados. Também por que, mesmo sendo uma novela, não fica em nenhum momento atrás dos grandes romances e das grandes fantasias.
Todos os quesitos da história forma muito bem trabalhados, e percebe-se claramente que houve uma pesquisa apurada na hora de contar sobre a Espanha Medieval. O real se mistura a ficção e a fantasia; esquecia por vezes que alguns dos fatos ali contados não eram realmente verdade. De tão bem construída a trama, mergulhava nos eventos ocorridos, sem me importar se de fato a espada realmente existira, ou mesmo a possibilidade da conexão entre os personagens do passado e do presente poder ser real.
Falando na espada, devo citá-la como exemplo de um artifício que a autora usou em todo o texto, ao explanar um acontecimento ou item, de primeira poderia parecer desnecessário, mas a frente, se mostrava de suma importância para a trama.

– É Cordeluna (...) a espada dos nossos antepassados. Tem esse nome por causa deste emblema gravado na lâmina, vês? Um coração e uma lua que se sobrepõem. E a empunhadura tem uma pedra tão especial que parece feita do próprio coração da lua.
Sancho contemplou-a extasiado, sem se atrever a tocá-la: era uma pedra grande e ovalada, de uma cor leitosa. Sem que ninguém lhe explicasse, sentiu que era uma pedra viva, uma pedra mágica.
Pág. 17

– A espada que me deste, pai – disse quase sem atrever-se a olhar para ele –, sabias que era uma espada mágica, não?
– Sabia que Cordeluna era especial, já te disse.
(...)
– Cordeluna manda, pai. Uma vez desembainhada, ela te comanda e tens a sensação de ser invencível.
Pág. 74 - 75

Foi assim também com os personagens. Não senti – como sinto diversas vezes – que havia algum personagem que fosse dispensável a história. O livro conta com muitos, e todos são bem caracterizados, destacando os do passado - como já dito anteriormente - mas cada um a sua maneira tem um papel importante para o desenvolvimento da trama.
A autora construiu um romance que mistura de tudo um pouco do que a maioria dos leitores – assim como eu – gostam. Conforme avançamos na leitura presenciamos situações que combinam romance, magia, conflitos, história antigas, histórias modernas, tudo intrinsecamente ligado e correlacionado.
O recurso usado por ela de alterna entre os tempos e planos, para mim foi um dos grandes destaques da trama. Tudo foi muito bem pensado para fluir a historia de forma coerente e ainda manter o suspense de modo a aumentar as expectativas para o final do livro.

Quando chegar o momento, no futuro, daqui muitos anos, haverá homens e mulheres de vosso sangue. Por meio deles, se tudo sair como esperado, podereis alcançar a paz.
Pág. 261

A escrita também merece destaque; de forma primorosa, a autora consegue, através dela, permear entre as histórias. Do modo informal ao rebuscado – ainda que de fácil entendimento - dos diálogos, percebemos a mudança das épocas, perceptível, mas sutil, sem pesar na narrativa.
Minha única observação negativa quanto ao livro, também se refere à escrita, que por várias vezes parava a narração para explicar minuciosamente os detalhes. Se por um lado, tais explicações não deixavam margem para qualquer dúvida que pudesse surgir, amarrando todas as pontas soltas, por outro, a forma didática como foram explorados todos estes detalhes - sem grande necessidade em minha opinião - deixaram a leitura por vezes, um tanto cansativa. Bem como alguns acontecimentos, que mesmo sabendo serem necessários para o desenrolar da história, a meu ver, se mostraram um tanto forçados. Em especial “os primeiros encontros” e a paixão instantânea dos personagens.
A edição é um caso a parte. Parabenizo a editora pelo capricho que foi dado ao livro. Percebe-se a atenção que foi dada, tanto a parte gráfica, repleta de detalhes; das letras capitulares decoradas, dos desenhos internos, dos mapas; quanto às notas de rodapés que explicam termos específicos e o posfácio bem interessante que ajuda a entender e entrar no período medieval. Sempre com a intenção de fazer o leitor mergulhar fundo na leitura.
Em resumo, Cordeluna é uma leitura mais do que recomendada, principalmente para quem procura uma fantasia bem construída, que entretém, e ainda te dá a possibilidade de vislumbrar conhecimentos históricos reais da nossa história.

Nota:«««««

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Boa Leitura!