19 de janeiro de 2015

Entrevistando: Lycia Barros

No entrevistando desta semana conversei um pouco com Lycia Barros, autora de grandes sucessos como A Bandeja, Entre a Mente e o Coração e a trilogia Uma Herança de Amor. Todas as informações de suas obras estão disponíveis em seu site oficial www.lyciabarros.com.br/, não deixe de entrar para conhecer melhor seu trabalho, mas antes vem conferir a entrevista bem inspiradora que ela concedeu ao blog.

Lucas: Como surgiu o desejo de escrever um livro?
Lycia: Do nada. Nunca imaginei escrever um livro até que o primeiro enredo começou a vir a minha cabeça. 

Lucas: O que te inspira a escrever?
Lycia: A vontade de deixar boas mensagens parta o leitor, que os ajudem nos conflitos diários.

Lucas: Existem elementos da sua própria vida que inspiraram de alguma forma as histórias que conta?
Lycia: Alguns, não muitos, visto que meus personagens são sempre mais jovens do que eu e têm outro estilo de vida. 

Lucas: O que costuma ler? Suas leituras influenciam no modo como cria e escreve seus livros?
Lycia: Com certeza. Leio muitos dramas e a Bíblia. 

Lucas: Com relação à história do livro, quando vai escrever; a história já está totalmente formada ou o enredo surge à medida que escreve?
Lycia: Só começo a escrever quando já sei todos os pontos principais da história, do começo ao fim. 

Lucas: Quanto tempo demora em média para finalizar um livro?
Lycia: De 4 à 9 meses. 

Lucas: O que fazer diante do bloqueio criativo?
Lycia: Não tenho, justamente porque programo a história toda no começo. 

Lucas: Quanto tira por dia para se dedicar exclusivamente à escrita?
Lycia: Quando pego para escrever, chego a ficar 10 horas fazendo isso. 

Lucas: Como é o processo desde a criação até a publicação do livro?
Lycia: Complexo, pois várias etapas não dependem de mim como capa, diagramação etc... Mas tento sempre estar em harmonia com a equipe da editora que trabalha comigo para que possamos deixar o livro com a cara do seu conteúdo. 

Lucas: Como a internet tem ajudado na divulgação dos seus livros?
Lycia: A internet é tudo hoje em dia, não sei o que faria sem essa ferramenta. 

Lucas: Você tem muito contato com os seus leitores? Já utilizou alguma ideia sugerida por um leitor?
Lycia: Não, tudo que se passa no meu livro vem exclusivamente de mim, pois só eu sei onde pretendo chegar.  

Lucas: Tem outras histórias para publicar? Pode adiantar alguma novidade?
Lycia: Tenho MUITAS histórias rsrsrs Mas meu próximo livro inédito a ser lançado será meu primeiro livro que não se passa no Brasil, e sim em Londres. Só isso que posso adiantar. 

Lucas: O que é ser escritora pra você?
Lycia: O que me faz feliz, terapia e trabalho ao mesmo tempo.  

Lucas: Como escritor o que mais te deixa feliz? E qual a parte mais difícil dessa profissão?
Lycia: O que mais me deixa feliz é o retorno do público carinhoso, o mais difícil é encontrar bons espaços em grande livrarias. Os escritores nacionais não têm o destaque que merecem.

Lucas: Como percebe o atual cenário para a produção literária?
Lycia: Em constante mudança, a internet tem revelado novos talentos, mas nem tudo que se produz é bom. No entanto, já vi obras maravilhosas serem ignoradas e livros sem refinamento caírem no gosto popular. 

Lucas: Como você vê o mercado editorial brasileiro atual?
Lycia: Este mercado está abrindo portas para os autores nacionais, mas ainda há um longo caminho a percorrer para que chegue no ideal de valorização dos nossos profissionais. Acho que as próprias editoras poderiam oferecer cursos de capacitação nesta área de escrita para ajudar seus autores neste processo. 

Lucas: Na sua opinião, existe algum preconceito, por parte do público e/ou editoras com novos autores?
Lycia: Claro, afinal, o leitor/editora quando não conhece o trabalho de um autor fica ressabiado de investir seu tempo nele, mas uma vez vencido este preconceito boas surpresas podem surgir.

Lucas: Que dicas daria para quem pensa em publicar um livro?
Lycia: Escreva sobre o que você gosta de ler, leia muito e estude português, essas são as dicas fundamentais. 

Espero que tenham gostado. Até a próxima!

18 de janeiro de 2015

TAG: Isto ou Aquilo


Vi esta TAG no canal literário Tiny Little Things, da maravilhosa Tati Feltrin. A quem interessar, pode ver o vídeo aqui. Vamos as minhas respostas!

1. Audiobook ou Livro?
Livro. Minha experiência com audiobook não foi agradável. Eu sempre estava mais a frente da leitura que o áudio.

2. Capa dura ou Mole?
Sendo livro eu aceito, mas na questão da aparência do livro e tudo mais, prefiro com certeza o de capa dura.

3. Ficção ou não-ficção?
Ficção. Vai depender muito da história para eu ler um de não ficção.

4. Fantasia ou Vida Real?
Fantasia. Por que na maioria das vezes eu quero escapar da vida real.

5. Harry Potter ou Crepúsculo?
Nunca li Crepúsculo, mas se levar em consideração os filmes (ainda que não precisasse) Harry Potter sem sombra de dúvidas.

6. E-book ou livro físico?
Mais uma vez, sendo livro eu já aceito. Mas é claro que a escolha é livro físico. E indiscutível o sentimento maravilhoso ao ver a estante recheada destas maravilhas.

7. Comprar ou pegar emprestado?
Obviamente comprar. Nada melhor do que ter o seu próprio exemplar do livro que quer.

8. Livro único ou Série?
No geral, qualquer um. Mas ultimamente tenho preferido os stand alones, séries estão me cansando.

9. Livraria física ou online?
Livraria Física. Pela vantagem de comprar e já levar seu livro (sim, sou ansioso e detesto esperar entregarem o livro).

10. Livro longo ou Curto?
Também vai depender da história. Ninguém vai querer uma historia ruim se arrastando por páginas e páginas, da mesma forma que aquela história sensacional passar voando pelos seus olhos também não é legal.

11. Drama ou Ação?
Ação. Dramas também me cansam.

12. Ler no seu canto ou Tomando sol?
No meu canto. Odeio sol e calor.

13. Chocolate quente, Café ou Chá?
Café. Mil vezes café.

14. Ler resenha ou Decidir por si?
Decidir por mim mesmo. Dificilmente eu leio resenhas, e nunca para decidir ler ou não o livro. Dependendo da resenha você nem precisa mais ler o livro. 

8 de janeiro de 2015

Editora Andross prorroga prazo para recebimento de textos para participação em antologias

Agora escritores têm até 28 de fevereiro para enviar seus contos, crônicas e poemas para avaliação e publicação em antologias literárias
Aqueles que desejam se tornar escritores publicados têm agora um novo incentivo para tirar seus escritos das gavetas. A Andross Editora prorrogou o recebimento de textos para avaliação e possível publicação em suas antologias literárias. Qualquer pessoa pode participar. Basta acessar o site www.andross.com.br, ler o regulamento de participação e submeter seu texto à avaliação. As inscrições agora vão até 28 de fevereiro de 2015. O lançamento dos livros será no evento Livros em Pauta, em maio de 2015.

Antologias em andamento

ALÉM DAS CRUZADAS - Contos sobre a era medieval

SINOPSE: Antigamente bardos difundiam a história de seu povo em poemas musicados em alaúdes. Por intermédio de suas obras, conhecemos hoje histórias de guerreiros de terras longínquas, amores proibidos entre nobreza e plebeus, a tristeza da Peste Negra e as dores da Santa Inquisição. Mas também conhecemos histórias mágicas, como a do jovem que se tornou rei por tirar uma espada da pedra, ou de criaturas encantadas que cospem fogo. Em "Além das Cruzadas", bardos modernos lançam novos olhares na Era das Trevas, mesclando a Idade Média real com a imaginária.
ORGANIZADORES: Carol Chiovatto & Bruno Anselmi Matangrano

SEDE - Contos distópicos sobre um futuro sem água

SINOPSE: 2013: o clima seco além do normal não chamou atenção do governo. 2014: com menos de 3% de capacidade do reservatório de água da capital paulista, o governo declarou que está tudo sob controle. 2017: a água quase desapareceu das regiões sudeste e nordeste do país, com uma parcela pequena de pessoas com acesso a ela. 2049: a população brasileira caiu vertiginosamente para 8%. O ano atual é 2065. A falta de um recurso tão essencial nivelou pobres e ricos em uma única categoria: sobreviventes. A conhecida frase da ficção “em um futuro não muito distante” nunca foi tão aterrorizante. 
ORGANIZADORA: Paola Giometti

DE REPENTE, NÓS - Contos de amor

SINOPSE: Há quem espere a vida inteira pelo seu amor, e desiste de esperar. Há também aqueles que são convictos em viver casados consigo mesmos. Em ambos os casos, o destino (ou o acaso) faz uma reviravolta e, de repente, o eu vira nós, sem mais nem menos. Pode ser para sempre ou eterno enquanto dure. Mas enquanto os dois estão amarrados um no outro é difícil desatar esse nó que só o amor pode proporcionar.
ORGANIZADOR: Leandro Schulai

AS QUATRO ESTAÇÕES - Antologia de poemas

SINOPSE: Há aqueles que sentem solidão no inverno, enquanto outros aproveitam a companhia e um bom conhaque. Também existem os que se deixam cortar para renascerem com as flores da primavera. Não são poucos os que esperam o ano todo pela alegria do verão. E o outono, junto com os frutos e Folhas secas, traz ainda momentos de reflexão. As quatro estações provocam sentimentos, suscitam palavras, afloram desejos... Os poemas deste livro são frutos de reflexões de poetas, que não apenas grafaram alegrias da vida, mas também a tristeza da solidão que só quem ama sozinho é capaz de sentir.
ORGANIZADOR: Edson Rossatto


VIAGENS DE PAPEL - Contos e crônicas de temática livre

SINOPSE: Quem lê desfruta de experiências reservadas somente àqueles que escolhem viver intensamente. Quem lê viaja. E vai longe... Descobre terras desconhecidas, muitas vezes, inimaginadas. Os autores do livro VIAGENS DE PAPEL desempenham brilhantemente sua função de agente de viagens e propõem pacotes diversos, capazes de agradar ao turista mais exigente. E lembre-se: o que importa não é o destino e sim a própria viagem.
ORGANIZADOR: Roberto de Sousa Causo


IMAGINARIUM - Contos fantásticos

SINOPSE: Existe uma zona no mais profundo abismo da mente humana, onde o real e o onírico coexistem, e o piscar de olhos confunde a compreensão. Esse lugar é chamado de IMAGINARIUM, e nele passam a maior parte do tempo aqueles que desconstroem a realidade para criar mundos completamente avessos ao conhecido. As histórias deste livro foram escritas não por aqueles que apenas visitam esse lugar, mas sim por aqueles que moram lá.
ORGANIZADOR: Alex Mir


LEGADO DE SANGUE - Contos sobrenaturais, de suspense e de terror

SINOPSE: Poe, Lovecraft, Shelley, Stoker e outras lendas da literatura de horror não produziram só histórias para assustar. Esses mestres criaram formas de prender o leitor em pesadelos escritos, habitados pelos monstros mais horrendos que uma mente pode conceber. Inspirados nessa herança literária, os autores de “Legado de Sangue” se propuseram a continuar a tradição e criaram contos que surpreendem e assustam tanto quanto um ser que espreita na escuridão, esperando por sua vítima.
ORGANIZADOR: Alfer Medeiros







Para conhecer mais o trabalho da Editora, vocês podem assistir à entrevista do diretor editorial da Andross, o escritor Edson Rossatto:

Entrevistando: Peterson Silva

O novo ano trouxe consigo novas ideias que eu pretendo usar no blog (a primeira e voltar a postar, se é quem em entendem). E entre tantas coisas que o tempo ocioso das férias me traz surgiu uma ideia que eu particularmente achei que seria bem legal: uma coluna onde entrevistarei escritores e que chamo de “Entrevistando” (simples assim).
Ainda que tenhamos este ou aquele autor junto de nós a cada livro lido, sempre acho legal um maior contato com as fantásticas pessoas que fazem nossa alegria com histórias contagiantes e por que não angustiantes também? Mas não menos interessantes. No mais, funciona até mesmo como uma divulgação do trabalho (nem um pouco fácil) destas pessoas que resolveram soltar no papel o que se passa em suas cabeças.


Vou começar com o autor do penúltimo livro lido em 2014, Peterson Silva, autor de “Controlados - A Aliança dos Castelos Ocultos”. Preparem-se para uma entrevista um tanto diferente, mas muito legal que me ajudou a complementar a leitura do livro.
Espero que gostem!


Lucas: Como surgiu o desejo de escrever um livro?
Peterson: Ih, mas está parecendo um consultório de psicólogo... Vou começar a falar da infância =P
Bem, não sei. Eu sempre gostei de livros, mas foi depois do primeiro Harry Potter (o filme) que comecei a ler mais e mais e mais e... Não sei exatamente como surgiu o desejo de contar histórias. Essa vou ficar devendo!

L: O que te inspira a escrever?
P: Essa pergunta é dupla, não é? Por um lado, os desafios das pessoas, seus dilemas, suas escolhas... As consequências dessas escolhas e como elas lidam com elas... Acho essas coisas fascinantes, o tipo de material que inspira histórias e do qual boas histórias são feitas. Realismo fantástico em geral é uma boa inspiração, acho, e aqui entramos no outro lado da pergunta: elementos "inspiradores" para a escrita. E, bem, nesse departamento sou bem eclético. Gosto de andar pela casa pensando, às vezes gravando reflexões; enquanto faço isso, brinco com um limão... Ou uma batata. Jogos como campo minado, 2048, Tetris, tudo isso ajuda a "pôr as coisas no lugar". Músicas também ajudam (algumas eu até posto nas redes sociais do livro, e umas são bem surpreendentes!), mas de vez em quando elas começam a me atrapalhar - ou eu acho que não encontrei ainda a música certa para aquilo que devo escrever - e aí acolho o silêncio.

L: Existem elementos da sua própria vida que inspiraram de alguma forma sua história?
P: Bem, algumas coisas, desde detalhes a coisas grandes. A sensação que tenho debaixo d'água (não sei, e não gosto de mergulhar), com toda aquela quantidade avassaladora de água ao redor da minha cabeça mexendo com os meus sentidos, me ajuda a pensar no que Lamar sentia quando entrava em Neborum sem gostar da experiência. Outras coisas, dilemas, relacionamentos, podem ter alguma coisa a ver com algumas coisas nos livros... Acontece. Acho que todo personagem tem necessariamente alguma coisa do autor; não tem como não ter. E acho que todo mundo tem um pouquinho de tudo dentro de si. 

L: O que costuma ler? Suas leituras influenciam no modo como cria e escreve seus livros?
P: Certamente. Leio de tudo, mas principalmente duas coisas: literatura (devoro tudo, embora creio que a balança penda mais pra algumas coisas) e leitura técnica da área de Ciências Sociais, que é o que estudo. E tudo influencia, certamente. Tolkiens influencia. Rowling influencia. Coben influencia. Saramago influencia. Até Douglas Adams influencia; em alguns momentos percebo minhas estruturas de frases tentando captar um pouco da mágica que ele fazia com suas linhas. Estou doido para ver como Cornwell vai me influenciar (ainda não o li). E também Foucault influencia. Bourdieu influencia. Nietzsche influencia (embora faz um certo tempo que não o leio).

L: Como surgiu a ideia para seu livro? Já possuía a ideia completa ou o enredo foi surgindo à medida que escrevia?
P: O enredo surge ainda hoje, mas o fio que amarra tudo do início até o fim, com arcos narrativos gerais bem sólidos, já chegou pronto desde o princípio; tenho tudo anotado até hoje numa pasta da qual não posso prescindir ao escrever. A ideia surgiu de cheiro de pão em supermercado: li um dia sobre supermercados nos Estados Unidos em que cheiro de pão quente era espalhado pelos corredores mesmo quando não havia pão fresco, para influenciar as pessoas a comer (e comprar) pão. É uma influência simples sobre os sentimentos e, ultimamente, as ações das pessoas, mas é invisível a quem a sofre. E assim é o caso de muitas influências, que geram dinâmicas de poder, que em nossa sociedade global desaguam em desigualdades. Acho tudo isso interessante e assim surgiu a ideia de tratar isso simbolicamente no universo da série Controlados.

L: Quanto tempo demorou para finalizar o livro?
P: O primeiro livro, mais ou menos um ano de escrita propriamente dita... Mas essa é sempre uma estimativa complicada; na realidade não lembro exatamente porque, bem, como incluir o período antes de começar a escrever o livro em si? Levei tempo para desenvolver toda a história de Heelum... Desenhar o mapa... Pensar a história toda... E o período depois? Revisão... Mais revisão... Toda a infra-estrutura do site... É um bom tempo.

L: O que fazer diante do bloqueio criativo?
P: Andar, comer, pensar; fazer outra coisa. Claro que nisso me refiro ao "nó", o momento dentro de um destino já claro de uma história em que surge uma dificuldade e é preciso achar uma solução não-óbvia... Acho que nunca experimentei algo ainda como uma ausência completa de direção ou ideias. Por um lado me sinto tentado a dizer que acho a ideia "aterradora", mas... Sinceramente? É ainda muito distante da minha realidade. Meu problema é o exato oposto. Queria tempo para escrever AGORA pelo menos outros quatro livros para os quais já tenho todas as ideias na minha cabeça. Sem falar dos outros quatro livros - os quatro volumes que vão dar continuidade a "Aliança".

L: Quanto tira por dia para se dedicar exclusivamente à escrita?
P: Varia muito. Às vezes (raro) consigo dedicar um dia inteiro... E tem dias que não consigo, por outras pressões e compromissos, sequer olhar para uma linha de texto... Não sei como fazer a conta, e ainda tem os textos produzidos para o Universo Estendido. Enfim, varia muito. Mas a madrugada é o melhor horário para escrever. Posso estar "andando em círculos" num capítulo teoricamente simples desde as nove da noite; quando chega uma da manhã a coisa vai para frente com uma velocidade incrível.

L: Como foi o processo desde a criação até a publicação do livro?
P: Longo e cansativo. Você sempre tem a impressão de que vai esquecer alguma coisa, ou de que não ficou tão bom. Mas você acaba se contentando, tudo dá certo, e o que não fica tão bom dá para consertar mais tarde. O que fica de lição é a calma, a experiência, o planejamento.

L: Quando decidiu publicar o livro, buscou algum profissional para editar e finalizar o material ou fez tudo sozinho?
P: Fiz tudo sozinho. Esses trabalhos são caros - e devem ser mesmo, como todo trabalho que deve ser valorizado pelo serviço especializado que é, quando de qualidade. Seria impossível para mim pagar por tudo, e portanto para compensar aprendi uma série de coisas para poder preparar tudo eu mesmo. Já tinha algum conhecimento de base: já trabalhava antes com LaTeX e Wordpress, por exemplo, mas o livro me levou a aprender ainda mais dessas duas ferramentas (e de boas práticas quanto a estética de editoração e de sites) e de muitas outras coisas - hoje eu sei, por exemplo, criar "à mão" (sem nenhuma ferramenta automática) um arquivo epub. Enfim... O único profissional que busquei porque realmente seria algo inatingível para mim foi o ilustrador Lucas Machado, que tem feito um trabalho sensacional e é sempre muito elogiado quanto à capa do Vol. I.

L: Por que decidiu publicar seu livro de forma independente? Chegou a enviar manuscritos a editoras? Se sim, obteve resposta?
P: Ah, sim, editoras!
Havia uma banda que eu gostava muito em Florianópolis. Chamava-se Aerocirco. Ela é absolutamente demais, até hoje uma de minhas favoritas. Recomendo que a busquem no Youtube. Fui a diversos shows deles aqui em Floripa - e procurei valorizá-los porque muitas bandas de que gosto, mesmo quando vêm ao Brasil, jamais vêm à Floripa. Teve um final de semana em que fui a dois shows deles, só porque eu podia (e era barato, e não era muito longe... E também virei à noite, só porque podia também). Em certo momento eles decidiram que era hora de tentar tomar o Brasil e se mudaram para São Paulo. As coisas não tendo dado certo, meses depois voltaram para casa e a banda se desfez.
A banda teria se desfeito de qualquer forma devido a problemas internos sobre os quais meros fãs como eu nada podem adivinhar? Talvez. É possível que tenham dado errado porque não tenham sido tão bons para a audiência nacional? Quem sabe (duvido). Mas por que diabos tinham que se mudar para São Paulo? É essa sina de retirância artística que mais me incomoda em toda a narrativa de ascensão e queda do Aerocirco. E se você pergunta, não só a eles, mas a qualquer um, por que tinham que se mudar, a resposta é óbvia: porque é óbvio. Não há outro caminho prático. Viva e verás.
Em toda a história editorial no Brasil, até mesmo de novos escritores que estão surgindo que não são do meio independente, você tem dois elementos: a aposta absolutamente vacilante de editoras, em que os escritores têm que pagar para ter suas obras aceitas e publicadas, e, por outro lado, no caso das apostas mais full-in, o contato mais pessoal e próximo. Foi o feliz acaso de conhecer o editor na Bienal de São Paulo. Ou a pessoa certa na hora certa que indicou o livro com a temática certa para a pessoa certa. A qualidade é necessária, e não creio que esteja em falta; oh não, de modo algum. Mas há muita produção por aí. Qualidade não é o único critério.
Disclaimers: isso não é recalque, nem vitimismo, nem pretensão de vestir uma dose de pessimismo que eu considero saudável com roupagem de "realismo", mas é preciso cair na real quanto a publicar com editoras. Eu não tenho contatos, nem fundos que banquem a crença de que vai haver retorno do investimento que é certos tipos de publicação ofertados. É preciso começar por algum lugar e escolhi esse caminho.
Mandei o manuscrito para algumas editoras sim, e é absolutamente e perfeitamente compreensível que apostar em séries que não estão completas é perigosíssimo (até Tolkien entregou O Senhor dos Anéis inteirinho). Mas um editor, que me ofereceu um preço para a publicação, me disse: "Se você lançar esse livro da forma errada, você está morto".
Não pude resistir ao desafio.

L: Como você faz a divulgação de seu livro? 
P: Bom, a internet e a computação em geral favoreceram tanto a produção independente quanto a distribuição independente, mas o marketing independente (especialmente com o alcance limitado padrão [leia-se: não pago] que o Facebook, por exemplo, oferece, e com o ruído absurdo que o Twitter gera) ainda continua complicado e, pela quantidade da oferta, difícil de chegar e causar impacto. Mas há frutos, especialmente se você criar uma rede de pessoas que realmente investem paixão no que fazem - ou seja, nas redes sociais do livro, que podem acumular seguidores e são uma ótima via padronizada de comunicação, você até oferece algum valor, mas o real poder de trazer as pessoas para os livros está nos blogs de literatura. O pessoal que realmente ama ler produz conteúdo para pessoas que se importam com o que essas pessoas têm a dizer, então construir esses relacionamentos é importante - mas, mais que estratégico, é legal para caramba também :)

L: Como a internet tem ajudado na divulgação dos seus livros? 
P: Ooops. Acho que já respondi na pergunta acima! Mas vou aproveitar pra fazer um adendo importante: a divulgação "física" existe também, e no meu caso em especial se dá principalmente através de oficinas de literatura que tenho realizado em escolas aqui da região metropolitana de Florianópolis. Eu trago os livros para a sala de aula e, a partir dele trabalhamos temas como influências e desigualdades sociais, identidade, comunidade. Tem sido uma experiência super bacana - inclusive nas redes sociais do livro tem fotos das oficinas que fiz em 2013 e 2014! É uma experiência e muito legal e quero fazer cada vez mais! 
O único limitador, é claro, continua sendo a oferta dos livros físicos. Não tenho fundos para uma tiragem confortável, então sempre dependo de malabarismos para ter o livro à mão. E isso faz muita diferença, viu: há quem diga que o livro digital oferecido de graça na internet vai fazer as pessoas desistirem de comprar o livro físico. Isso não acontece em dois sentidos: em primeiro lugar é difícil fazer o pessoal ler online, ou em aparelhos. Quem faz isso no Brasil (ou pelo menos por aqui) ainda é vanguarda. Mas (e aqui vem o segundo fator) mesmo quem o faz (e muitos blogs de divulgação o fazem - obrigado, galera!) ainda prefere o físico. Então ter o livro, fazer o pessoal que gosta de ler nessas escolas tocar nele, sentir o cheiro, enfim... O pessoal compra mesmo. Ou pega emprestado, porque as escolas (mais um agradecimento aqui - isso está parecendo programa da Xuxa já) têm sido super apoiadoras e comprado exemplares para as bibliotecas quando fazemos as oficinas!

L: Você tem muito contato com os seus leitores? Já utilizou alguma ideia sugerida por um leitor?
P: Contato há sim, com certeza. E adoro! Como não gosto de usar ativamente o Facebook e tenho um perfil mais por etiqueta e necessidade social, vou aceitando todo mundo que me adiciona. O pessoal manda mensagens pela página da série também, etc. Acho muito bom!
Quanto a usar uma ideia sugerida por um leitor - bem, nunca tive uma ideia séria sugerida. Nunca um leitor chegou para mim e falou "olha, a coisa x poderia acontecer, seria bem legal", e pode ter certeza de que se fosse coerente e interessante eu não teria nenhum escrúpulo de usar a sugestão. Por outro lado, eu gosto (e me sinto estranho quanto a isso) do que Ricky Gervais disse uma vez, bem direto e sem papas na língua, quanto à produção artística: ela é ditatorial. Não tem nada de democrática. O que o artista quer fazer em sua obra tem que ser de sua decisão e pronto. Não faria nada que não se encaixe na história só porque foi uma sugestão de um leitor; isso é óbvio, e acho que um escritor arriscaria muito se fizesse isso.

L: Ainda pretende publicar o livro através de uma grande editora?
P: Por que não? :)

L: Tem outros livros já publicados?
* Independentemente, M10. Fiz também parte de uma coletânea de contos em "Contos discordianos" e lancei um manual de estratégia e customização do UNO (chama-se "Guia Definitivo de Customização do Uno"; um pequeno hobby bobo, e nada mais, mas acho muito divertido - e ele é bem completo, viu?)).

L: Tem outras histórias para publicar? Pode adiantar alguma novidade?
P: Outras histórias dependerão muito dos caminhos que a vida leva - mas ideias tenho muitas, todas loucas para sair da cabeça. Quanto às novidades da série Controlados, bem, o Volume II está muito próximo da conclusão, e gostaria de lembrar que membros do Universo Estendido terão acesso antecipado - e mais: já podem ler uma versão preliminar do primeiro capítulo AGORA mesmo.

L: Seu livro está disponível em quais formatos?
P: Online (num site próprio para sua leitura), PDF, ePub, e também nas plataformas Widbook e Wattpad! E, é claro, em papel, produzido pela Bookess.

L: O que é ser escritor pra você?
P: Todo artista conta histórias ou canaliza todo tipo de coisa humana através de uma matéria-prima. Minha matéria-prima é a palavra escrita. 

L: Como escritor o que mais te deixa feliz? E qual a parte mais difícil dessa profissão?
P: O mais difícil é sobreviver financeiramente. O que me deixa mais feliz é, puxa, ter leitores! Ver o pessoal curtir a história e querer mais é sempre gratificante :)
Nunca vou esquecer de um momento em uma das oficinas literárias; creio que era uma turma do nono ano do ensino fundamental. Tivemos toda uma exposição dos temas, uma discussão bem à vontade sobre vários tópicos, uma introdução à trama do livro, e então os alunos, antes de uma discussão geral e final, tinham que ler, divididos e grupos, capítulos do livro - cada grupo ficaria com um capítulo. Mas, é claro, alguns alunos terminaram antes que outros. E teve uma dupla de alunas que, ao acabar o capítulo de seu grupo, saiu pedindo outros capítulos (eram fotocópias) para alunos de outros grupos que já haviam terminado também porque, nas palavras de uma delas, "eupreciso ler o próximo capítulo!". Foi uma aprovação tão sincera, tão visceral, tão impossível de falsificar - e não foi sequer dirigida para mim; foi um comentário dela para si mesma em voz alta, num quase sussurro que eu poderia nem ter ouvido. Achei... Mágico.

L: Quais as principais dificuldades no trabalho, uma vez que você não tem o suporte de uma grande editora?
P: Os trabalhos paralelos à escrita que consomem mais tempo do que eu gostaria... E que numa editora seriam executados por toda uma equipe especializada.

L: Como percebe o atual cenário para a produção literária?
P: É fantástico! Vivemos tempos incríveis, na verdade, porque o cenário todo sugere uma espécie de estagnação histórica. É preciso criatividade para sair desse marasmo; coragem para se aventurar a aprender (porque ainda há muita ignorância; talvez sempre tenha havido e essa seja uma perspectiva tola por parte de um integrante de uma geração nova, mas é o que se vê por aí) e também há muitas posições a se tomar e a serem fortalecidas - é preciso tomar conta do contra-poder imaginário, como diria David Graeber. Pelo menos por esse prisma politizado que vejo certas formas de literatura, inseridas num campo social, com um papel social, acho que há sim muito para ser dito, muito para ser explorado, muito para ser inventado

L: Como você vê o mercado editorial brasileiro atual?
P: Não posso dizer que tenho conhecimento o bastante para fazer um comentário educado sobre o assunto, infelizmente, mas acho que o Brasil segue um caminho bom, se apenas lento demais para as aspirações sempre doces de leitores por todo o país, em que há cada vez mais leitores. Isso  pode ser bom, e como já ouvi de outros escritores por aí, o sucesso editorial de alguns (contra os quais pode-se inclusive ter opiniões negativas em termos de qualidade literária) é bom para todo mundo, escritores e leitores!

L: Na sua opinião, existe algum preconceito, por parte do público e/ou editoras com novos autores?
P: Acho que não. Só o que eu vejo são as pessoas sempre bem empolgadas e receptivas. Acho que com a literatura o endurecimento de opiniões quanto a escritores individuais vem depois da leitura. Por exemplo, a rota clássica do preconceito seria absorver da opinião pública dominante a ideia de que autores iniciantes são ruins, adotar essa opinião, e passar a evitar qualquer autor iniciante. Mas acho que isso não acontece; eu, que já ouvi coisas péssimas sobre alguns "grandes nomes", não me furtaria a lê-los (o que pensaria sobre eles depois da leitura seria outra coisa, e não posso dizer que a opinião seria livre de impurezas relativas à pressão da opinião pública). Até Crepúsculo eu li quando ele já era meio odiado e não acho que foi tão terrível (o livro... E em alguns aspectos ele é péssimo sim, mas não todos...).
Mas, e sabe que isso é engraçado, esse é um preconceito que teria alguma razão de existir, se apenas porque iniciantes... Cometem erros. Acontece. Levando a coisa pro terreno do ad absurdum, você preferiria fazer uma cirurgia com um perito na área médica do que com um estudante de medicina, ou mesmo um estagiário. Mas no fundo, no fundo, não cola no campo artístico: se a experiência e a prática vão moldando boas práticas e dotando o autor de uma outra perspectiva, nem sempre essa nova visão é melhor: a inexperiência dá coragem também. Ousadia. Combustível para fazer coisas incríveis, de tentar caminhos que ainda não foram trilhados - e mais: energia, aliada ao tempo, para se recuperar depois dos tombos e aprender com quaisquer erros - o que leva, full circle, à tal visão nova que vai desabrochar. Acho que em geral vale a pena dar chances a escritores iniciantes (é claro que eu diria isso, não é mesmo?), e acho que os leitores sabem disso... Não tem trauma: as decepções são esquecidas logo. As experiências incríveis ficam. 

L: Que dicas daria para quem pensa em publicar um livro?
P: Analise suas opções e siga seu coração. Mas o faça com suor, e o faça com dedicação. É uma dica inútil, mas toda dica prática é insensível ao contexto de qualquer forma. E prefiro ser sincero a fingir que conheço o caminho - estou descobrindo o meu e não sei até onde ele leva. E nem sempre, infelizmente, a jornada vai poder ser maior, melhor, mais importante que o destino.
Mas em última instância isso não é um fato. É escolha; parte mais humana de uma interpretação.


Agradeço ao Peterson pela entrevista. Para os que se interessarem, todas as informações do livro podem ser encontradas no site oficial: seriecontrolados.com.br/

Boa Leitura!