12 de julho de 2013

Crítica da Semana: Sangue Quente

Crítica da Semana é uma coluna que tem como objetivo mostrar minha opinião sobre os filmes que eu assistir. Meme semanal hospedado pelo Fanfics Memoráveis e postado nas sexta-feiras.


Nome: Warm Bodies 
País de Origem: Estados Unidos
Direção: Jonathan Levine
Roteiro: Jonathan Levine, Isaac Marion
Gênero: Romance/Comédia
Duração: 98 min. 
Ano de Lançamento: 2013
Elenco: Nicholas Hoult, Teresa Palmer, John Malkovich, Analeigh Tipton, Lizzy Caplan, Dave Franco, Rob Corddry, Cory Hardrict, Ayisha Issa, Justin Bradley







Primeiro uma observação: me recuso a chamar esse filme pelo título brasileiro (Meu Namorado é um Zumbi), a pior adaptação de  um título já vista.

Antes personagens famosos e recorrentes no gênero terror, os mortos vivos – popularmente chamados zumbis – agora voltam em um universo re-imaginado e repaginado, sofrendo mudanças consideráveis, onde além da busca insaciável por cérebros, vivem crises existenciais e sentimentalismos humanos. Se antes motivados pela fome e pela busca de carne fresca, agora enfrentam a melancolia das lembranças passadas quando vivos.

Este é o enredo de Sangue Quente, adaptação do livro Sangue Quente, de Isaac Marion, e uma das mais recentes produções que colocam como protagonistas os comedores de cérebros.

O filme é ambientado no cenário pós-apocalíptico zumbi, onde os últimos humanos se refugiaram em cidades muradas e protegidas. Tendo como líder o general Grigio, vivido por John Malkovich, os sobreviventes refugiados realizam missões com intuito de achar e coletar comida e medicamentos para sua sobrevivência.

R vivido por Nicholas Hoult é o protagonista da história. É um zumbi introspectivo e totalmente apático, que não tem qualquer memória de quando era vivo (a única certeza que tem é a de que seu nome começava com R). Passa seus dias de morto se arrastando em um aeroporto na companhia de seus outros companheiros zumbis, tentando se adaptar a sua nova condição, enquanto medita sobre a vida, o universo e tudo mais (desculpe, não resisti à citação). Nada importa para ele senão saciar a fome que sente, é não se vê como uma ameaça ou mesmo vilão. Julie, personagem de Teresa Palmer, é a filha do general Grigio que lidera um pequeno grupo de sobreviventes em busca de mantimentos para a sobrevivência do seu grupo. É através de uma dessas incursões que temos o desenvolvimento da história.

Quando bate a fome, R e seus companheiros zumbis seguem até a cidade em busca de cérebros frescos. Assim tem-se o embate com o grupo de Julie, onde R leva Julie consigo. A partir daí os dois vão convivendo, entendendo e aceitando as diferenças e estranhezas que sentem um pelo outro. Dessa convivência nasce uma amizade improvável que evolui para algo a mais. Esse relacionamento desencadeia uma série de eventos que mudarão suas vidas para sempre. Eles então têm que formar uma aliança para combater o verdadeiro vilão.

A ideia não é tão absurda quanto parece. O existencialismo do filme ao mesmo tempo que funciona como uma paródia a enxurrada de produções com esse tema, serve como uma crítica ao relacionamento atual da sociedade humana.

O filme é até bom, com um desenvolvimento coeso, mas como sempre, não supera o livro. Achei que melo-dramatizaram demais a história, e apagaram o humor negro presente no livro (que é um dos seus melhores pontos). O filme é creditado como romance, mas a história vai muito mais além do relacionamento de R e Julie. É todo um contexto social de opressão, indagações e incertezas sobre humanização e do que a sociedade é capaz de fazer em tempos de crise.

Com relação à produção e equipe, não tenho muito do que reclamar. A direção de Jonathan Levine é leve e descontraída. O roteiro também escrito por Jonathan Levine poderia ter se aprofundado melhor na história, uma vez que teve a colaboração de Isaac Marion, o autor do livro. Nicholas Hoult acertou na interpretação de R, caricaturesca e contida ao mesmo tempo; que funciona como uma paródia bem-vinda à overdose de zumbis. Apesar de gostar do trabalho de Teresa Palmer, acredito que ela se conteve demais e poderia ter representado Julie melhor.

No geral, houveram partes que soaram forçadas, como se quisessem fazer o público engolir uma ideia absurda a todo custo. Mas os pontos positivos se sobressaem aos negativos e torna a experiência de assisti-lo de todo agradável.

O ponto alto do filme com toda certeza é a trilha sonora. Estou fascinado pelo gosto musical de R, que vai desde Gun’s and Roses e Scorpions até Bob Dylan. E esse sentimento aumenta ainda mais dada a preferência pelo vinil ao invés do digital (inveja da coleção de LPs de R).

Finalizando porque já falei demais (crítica ta enoorme), assistir a Sangue Quente foi uma experiência agradável e não foi perda de tempo; entretanto poderia ter sido muito melhor se tivessem aprofundado mais nos zumbis em si do que no romance. A história do livro não é só romance; há humor, drama, e claro romance, mas este não é o foco.

Foi bom, mas poderia ter sido melhor, mais ácido e menos aguado e meloso, por isso leva três estrelas.

NOTA: «««««

4 comentários:

  1. Uau, ótima crítica. Infelizmente, não tenho a habilidade de criticar um filme )':

    Concordo com a primeira linha; me recuso a chamar o filme por aquilo, é Sangue Quente e acabou.

    Beijos

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    1. Ah obrigado Ju.
      Em compensação escreve resenhas como nunca se viu né? são as melhores (sim estou falando de DoBaS)
      Não é, inadmissível chamar o filme por esse nome, simplesmente inaceitável.
      Bjão!!

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  2. Muito boa a crítica!
    Eu assisti o filme e entendi bem a ideia, o nome é, de fato, um tanto bobo o foi um dos grandes impecílios na hora de escolher assisti-lo (eu n queria assistir um besteira !!) Mas eu gostei mais do que esperava da história, talvez porque já tenha uma leva inclinação por zumbis e por adorar comédias. Foi 2 em 1. E sim, a trilha sonora deu o toque especial, super fina. Um filme pra descontrair, agente cansa de ser intelectual o tempo todo '-'

    Abraços, muito sucesso por aqui, qualquer coisa ce me encontra lá no meu canto srtamaciel.blogspot.com.br =D

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    1. Obrigado,
      Também gostei do filme, no geral é bom (tirando o titulo é claro, que foi realmente um desastre). Isso mesmo, é um filme para descontrair, não e uma produção para se pensar ou questionar (apesar do livro ser).
      Obrigado, lhe desejo o mesmo.
      valeu pela visita.
      Bjão!!!

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